O empresário Tiago Oliva Schietti já ouviu essa pergunta de diferentes consorciados ao longo dos anos: será que vale a pena esperar até uma época específica do ano para dar o lance, na esperança de conseguir a contemplação com um valor mais baixo? A crença é comum, mas nem sempre corresponde à realidade do mercado.
Ao contrário do que se imagina, não existe uma “época oficial” mais barata para dar lances; o valor necessário para vencer depende, sobretudo, do comportamento dos demais participantes daquele grupo específico em cada mês. Ainda assim, alguns padrões sazonais acabam se repetindo com certa regularidade em diferentes segmentos do mercado, e conhecê-los, segundo o empresário, pode ajudar o consorciado a planejar melhor o momento de oferecer o próprio lance.
Décimo terceiro salário e restituição de imposto de renda
Dois momentos do calendário financeiro brasileiro costumam concentrar picos de lances: o recebimento do décimo terceiro salário, no fim do ano, e a restituição do Imposto de Renda, entre maio e setembro. Como esses valores representam entradas extras de dinheiro para boa parte da população, é comum que mais consorciados usem esses recursos para reforçar seus lances justamente nesses períodos, o que, paradoxalmente, pode tornar a disputa mais acirrada, e não mais barata.
Tiago Oliva Schietti observa que essa dinâmica costuma pegar de surpresa quem planejava dar um lance exatamente nesses meses, esperando “aproveitar uma oportunidade”: como todo mundo tem a mesma ideia ao mesmo tempo, o valor médio necessário para vencer tende a subir, em vez de cair.
Os meses de menor movimento podem ser mais estratégicos
Em contrapartida, períodos sem esses reforços sazonais de renda, como os primeiros meses do ano, logo após as despesas de início de período letivo e impostos anuais, costumam registrar menor concorrência nos lances, já que boa parte dos consorciados está com o orçamento mais apertado nesse momento. Para quem consegue manter uma reserva disponível o ano todo, sem depender de datas específicas de entrada de dinheiro, esses meses de menor movimento podem representar uma oportunidade de vencer a disputa com um valor relativamente mais baixo.

Diferenças entre segmentos também importam
Vale lembrar ainda que essa sazonalidade tende a se comportar de forma diferente conforme o segmento do consórcio. No caso de veículos, por exemplo, é comum observar maior concorrência por lances em períodos que antecedem datas de troca de placas ou lançamentos de novos modelos, quando o interesse pela compra de um carro tende a aumentar de forma geral no mercado.
Já em consórcios de imóveis, esse tipo de variação sazonal costuma ser menos evidente, já que a decisão de comprar uma casa ou apartamento raramente está atrelada a datas específicas do calendário. Tiago Oliva Schietti recomenda que o consorciado leve esse tipo de particularidade em conta ao tentar identificar algum padrão no grupo em que está inserido, evitando aplicar uma regra geral que talvez não corresponda à realidade daquele segmento específico.
O histórico do próprio grupo vale mais do que qualquer regra geral
Apesar desses padrões observados de forma ampla no mercado, cada grupo de consórcio tem uma dinâmica própria, influenciada pelo perfil dos participantes, pelo segmento do bem e pelo momento em que o grupo foi formado. Por isso, em vez de seguir apenas regras gerais de sazonalidade, o mais indicado é acompanhar o histórico de lances vencedores daquele grupo específico ao longo dos últimos meses, informação que a própria administradora costuma disponibilizar mediante solicitação.
Planejamento supera timing
No fim das contas, Tiago Oliva Schietti defende que tentar “acertar o timing perfeito” do mercado de lances é uma estratégia menos confiável do que simplesmente manter uma reserva planejada e acompanhar de perto o comportamento do próprio grupo. Nas palavras do empresário, disciplina financeira consistente supera qualquer tentativa de prever o mercado. Assim, o consorciado consegue agir com mais liberdade, sem depender de calendários específicos nem competir justamente nos meses em que todo mundo também está tentando fazer o mesmo movimento.
Portanto, mais do que buscar a época “certa”, o segredo está em observar o padrão específico do grupo em que se está inserido e manter disciplina financeira suficiente para agir no momento mais oportuno, seja ele qual for.

