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Tribuna de Ubatuba Notícias > Blog > Notícias > Dívida ou capital próprio, analisa Marcio Alaor de Araujo
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Dívida ou capital próprio, analisa Marcio Alaor de Araujo

Adrian Solvera
Por Adrian Solvera
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5 Min de leitura
Marcio Alaor de Araujo
Marcio Alaor de Araujo
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Muitas empresas precisam de recursos para crescer e escolhem a forma de financiamento pela urgência, e não pela estratégia. Na análise de Marcio Alaor de Araujo, executivo do mercado financeiro, a decisão entre contratar dívida ou trazer novos sócios define a estrutura de capital da empresa por muitos anos. Comparar as duas alternativas em custo, controle, risco e flexibilidade ajuda a encontrar o equilíbrio adequado.

Contents
O custo de cada alternativaControle da empresaRisco financeiroFlexibilidade e prazosO equilíbrio na estrutura de capital

O custo de cada alternativa

A dívida tem custo explícito: os juros pagos aos credores. Em períodos de taxas elevadas, como o atual, o peso financeiro pode comprometer boa parte da geração de caixa. Por outro lado, os juros são despesa dedutível no cálculo de tributos sobre o lucro em determinados regimes, o que reduz parcialmente o custo efetivo do financiamento para a empresa.

O capital próprio não exige pagamentos fixos, mas costuma ser mais caro no longo prazo. Novos sócios esperam retornos superiores aos de credores, porque assumem mais risco. Ao abrir mão de uma fatia da empresa, os sócios atuais dividem todos os lucros futuros, inclusive os que vierem do crescimento financiado com aquele dinheiro.

Controle da empresa

A dívida preserva o controle dos sócios atuais. Credores não participam das decisões do dia a dia, desde que os pagamentos sejam feitos em dia e as condições contratuais sejam respeitadas. Para empresas familiares ou fundadores que desejam manter o comando, essa característica costuma pesar bastante na escolha entre as alternativas.

Conforme explica Marcio Alaor de Araujo, a entrada de novos sócios, especialmente fundos de investimento, normalmente envolve direitos de participação nas decisões, assentos no conselho e regras sobre temas estratégicos. Em contrapartida, os investidores podem trazer experiência, rede de contatos e disciplina de gestão que ajudam a empresa a crescer de forma mais estruturada.

Marcio Alaor de Araujo
Marcio Alaor de Araujo

Risco financeiro

A dívida aumenta o risco financeiro, porque cria obrigações fixas independentemente do desempenho da empresa. Em momentos de queda nas vendas, as parcelas continuam vencendo, e o endividamento elevado pode levar a dificuldades sérias. Contratos de financiamento também podem incluir cláusulas que exigem a manutenção de indicadores mínimos.

O capital próprio funciona como colchão em períodos difíceis. Sem parcelas obrigatórias, a empresa atravessa crises com mais folga, e os sócios compartilham as perdas. Negócios com receitas instáveis, em fase inicial ou em setores muito voláteis costumam depender mais de capital próprio justamente por não suportarem compromissos fixos elevados em períodos de oscilação.

Flexibilidade e prazos

A dívida oferece flexibilidade em alguns aspectos. Pode ser contratada em volumes e prazos variados, quitada antecipadamente e renegociada conforme as condições de mercado. Instrumentos como debêntures e notas comerciais ampliaram as opções para empresas médias, com prazos mais longos do que as linhas bancárias tradicionais.

Como indica Marcio Alaor de Araujo, o capital próprio é menos flexível em sua estrutura, já que a entrada de um sócio é difícil de reverter. Acordos de investimento costumam prever regras de saída, prazos para a venda da participação e direitos que acompanham a empresa por muitos anos. Avaliar o alinhamento de longo prazo com o novo sócio é tão importante quanto o valor investido.

O equilíbrio na estrutura de capital

A maioria das empresas combina as duas fontes. Uma estrutura equilibrada usa dívida em níveis compatíveis com a geração de caixa e recorre a capital próprio para projetos de maior risco ou para fortalecer o balanço antes de novas etapas de crescimento. O ponto ideal varia conforme o setor, o momento e os objetivos dos sócios.

Na percepção de Marcio Alaor de Araujo, a decisão deve considerar o uso dos recursos. Investimentos com retorno previsível podem ser financiados com dívida, enquanto apostas mais incertas pedem capital próprio. Tratar a estrutura de capital como parte da estratégia, revisando-a periodicamente, evita escolhas tomadas apenas sob pressão por recursos, quando o poder de negociação da empresa é menor.

 

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