Corregedoria da Polícia Federal concluiu processo disciplinar contra o ex-deputado, que vive nos Estados Unidos desde 2025.
A Polícia Federal concluiu o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) aberto contra o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e recomendou ao Ministério da Justiça e Segurança Pública sua demissão do cargo de escrivão da corporação, por abandono de função. A decisão final sobre a exoneração cabe agora ao ministro Wellington Lima e Silva, que ainda não se manifestou publicamente sobre o caso.
Como o processo chegou a esse ponto
Segundo o Imirante, Eduardo Bolsonaro ingressou na Polícia Federal por concurso público em 2010, ocupando o cargo de escrivão no Rio de Janeiro. Ele se mudou para os Estados Unidos no início de 2025, alegando buscar refúgio diante de supostas perseguições políticas no Brasil, e passou a se autodenominar exilado político.
Em dezembro de 2025, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados cassou seu mandato parlamentar em razão do acúmulo de faltas não justificadas. Com a perda do mandato, ele deveria ter retornado ao cargo de escrivão da PF, mas não se reapresentou ao serviço público, o que levou a Corregedoria-Geral da corporação a abrir, em janeiro de 2026, o processo disciplinar que agora resultou na recomendação de demissão, conforme detalhou o Portal do Amazonas.
O paralelo com o processo no STF
Paralelamente ao caso administrativo, Eduardo Bolsonaro também responde a investigações no Supremo Tribunal Federal. Em junho de 2026, a Primeira Turma da Corte o condenou, por unanimidade, pelo crime de coação no curso do processo. Segundo o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, o ex-deputado teria tentado constranger magistrados e interferir em julgamentos relacionados à tentativa de golpe de Estado investigada pelo STF, de acordo com apuração do Imirante.
Esse histórico judicial tem sido citado por analistas políticos como parte de um contexto mais amplo, no qual filhos e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro enfrentam simultaneamente processos em diferentes esferas, do Legislativo ao Judiciário. A recomendação de demissão da PF se soma a esse quadro, embora trate de uma questão administrativa distinta, ligada especificamente ao vínculo funcional de Eduardo com a corporação.
O que pode acontecer a partir de agora
Cabe agora ao ministro da Justiça decidir se acata a recomendação da Corregedoria e assina o ato de exoneração. Caso a demissão seja confirmada, Eduardo Bolsonaro perderá definitivamente o vínculo com a Polícia Federal, encerrando uma carreira que já estava suspensa de fato desde sua mudança para os Estados Unidos.
Enquanto isso, Eduardo Bolsonaro mantém residência nos Estados Unidos, país que lhe concedeu green card, documento que autoriza trabalho, estudo e residência permanente em território americano, segundo informou o Jornal Cruzeiro. A repercussão do caso deve continuar nos próximos dias, à medida que o Ministério da Justiça avalia o processo encaminhado pela corregedoria da PF.

