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Ubatuba: moradores do Corcovado sofrem com borrachudos

Em uma postagem nas redes sociais, Washington Liborio, residente do bairro Corcovado, em Ubatuba, faz um pedido para a prefeitura urgentemente aplicar o larvicida BTI para conter os borrachudos. “No bairro corcovado crianças e moradores sofrem e não aguentam mais crianças com feridas por causa das picadas dos insetos. Prefeitura, vereadores e secretaria da saúde, socorro. Pedimos urgência em prol das crianças”, suplica o morador.

O BTI é um larvicida biológico, utilizado para o controle dos borrachudos, eliminando-os ainda na fase de larvas, aplicado principalmente em regiões de lagos e riachos. Os borrachudos são comuns no litoral paulista devido à umidade de rios e do mar, além das reservas florestais presentes na região. Os mosquitos podem até ser minúsculos, mas suas picadas incomodam bastante: após alguns minutos a região afetada já apresenta um ponto vermelho e o desejo quase incontrolável de coçar.

Em entrevista ao Costa Norte, a médica Anna Karoline Moura, dermatologista do Hospital São Marcelino Champagnat, compartilhou medidas que podem ajudar a não coçar as picadas e evitar complicações.

Explicando a picada

É contraindicado coçar o local da picada, pois se coçar muito forte pode causar lesões, que podem infeccionar. “Quando o mosquito pica, o que entra em contato com nossa pele é a saliva dele e é essa saliva que vai gerar a vermelhidão, coceira e inchaço. Quando a gente coça, acaba espalhando essa saliva pela pele, fazendo com que nossa resposta inflamatória seja maior”.

Para a profissional, o uso do repelente é a prevenção ideal, mas existem algumas medidas pós-picadas que podem ajudar a não coçar. “Depois que ocorre a picada, é muito difícil ter algo na mão para melhorar o prurido (coceira). O que a gente recomenda é o uso oral de anti-histamínicos e, no local, a aplicação de pomadas de corticoíde”, indica.

Quando procurar ajuda médica

“A picada em si ainda não é considerada uma reação alérgica, ela é uma reação inflamatória. Toda ação que nosso corpo recebe, ele responde com uma reação. Então, a partir do momento que o mosquito nos picou, ele liberou enzimas ali que causaram uma agressão ao nosso organismo. Então algumas substâncias são criadas para dar uma resposta inflamatória a essa ação, o que não é de forma alguma uma reação alérgica. Só vou suspeitar de uma reação alérgica quando isso passar daquilo que é considerado normal para cada um: geralmente um inchaço e uma vermelhidão muito maior, dor local, rubor, ai sim você deve procurar um especialista”, explica. “Se perceber que algo está extremamente diferente do seu habitual, monitore se isso vai melhorar com o passar dos minutos. Se isso vem piorando e acarretando outros sistemas, inclusive trazendo sintomas respiratórios, esse é o momento de procurar ajuda”, pontua.

Qual é o repelente mais recomendado?

Anna explica que existem alguns repelentes no mercado e eles têm diferenças entre si. “O DEET é o mais amplamente vendido e pode ser usado até uma concentração máxima de 15%, que é o autorizado pela Anvisa. Ele é muito bom, mas tem uma duração de até seis horas. A Icaridina também é super comum e essa substância pode chegar a 25% de concentração. O que ela tem de diferencial em relação ao DEET, é que ela tem uma longa duração. Então, ela vai te proteger até doze horas dependendo da porcentagem de Icaridina que vai ter no teu repelente”, responde a dermatologista.

Repelentes caseiros são indicados?

Muitas pessoas utilizam produtos naturais como óleo de eucalipto-limão e misturas com citronela para afastar os borrachudos. De acordo com a médica, as misturas caseiras não são contraindicadas, desde que o usuário não tenha alergia a nenhum dos ingredientes. “Se tua pele não se irrita, está ok, pode usar”, diz a dermatologista. “O que a gente tem é uma duração menor. Um repelente à base de citronela vai te dar uma duração de no máximo duas horas. Então é muito inferior aos repelentes de farmácia, mas pode ser usado”, finaliza.

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