Diohn do Prado, diretor administrativo com atuação no mercado de rochas ornamentais, acompanha com atenção o debate crescente sobre a responsabilidade ambiental da construção civil, setor que figura entre os maiores consumidores de recursos naturais e geradores de resíduos no Brasil. O desmatamento associado à abertura de áreas para construção, a extração de matérias-primas e o descarte inadequado de entulho são desafios reais que o setor precisa enfrentar com soluções concretas, e não apenas com declarações de intenção.
A boa notícia é que alternativas sustentáveis já estão disponíveis e sendo adotadas por empresas que enxergam na responsabilidade ambiental uma oportunidade de diferenciação e não apenas um custo adicional de operação. O uso de materiais naturais duráveis, como granitos e quartzitos, em substituição a materiais de menor vida útil, é um exemplo concreto de como escolhas técnicas podem gerar impactos ambientais positivos ao longo do ciclo de vida de uma obra.
Qual é o impacto ambiental real da construção civil no Brasil?
A construção civil é responsável por uma parcela significativa do consumo de energia, água e materiais no país, além de gerar volumes expressivos de resíduos sólidos que frequentemente não recebem destinação adequada. A abertura de canteiros de obras em áreas com cobertura vegetal nativa ainda é uma prática comum em regiões de expansão urbana, contribuindo para a fragmentação de ecossistemas e a redução da biodiversidade local.
Diohn do Prado evidencia que o consumo de madeira nativa na construção, embora regulamentado, ainda representa um ponto de atenção relevante, especialmente em obras de menor porte onde a rastreabilidade da origem dos materiais é mais difícil de garantir. A substituição progressiva da madeira por materiais alternativos de origem controlada, como perfis metálicos, concreto armado e pedras naturais certificadas, é uma tendência que contribui para reduzir a pressão sobre as florestas nativas.
Como a escolha de materiais influencia a pegada ambiental de uma obra?
A análise do ciclo de vida dos materiais utilizados em uma obra revela que a durabilidade é um dos fatores mais determinantes para a pegada ambiental de uma construção ao longo do tempo. Materiais com vida útil mais curta precisam ser substituídos com maior frequência, gerando mais resíduos, consumindo mais energia no processo de fabricação e aumentando o impacto ambiental acumulado da edificação. Em contrapartida, materiais como o granito e o quartzito, com durabilidade de décadas sem necessidade de substituição, reduzem esse impacto de forma significativa quando considerados em uma perspectiva de longo prazo. Conforme expõe Diohn do Prado, a escolha consciente dos materiais é uma das decisões com maior potencial de impacto ambiental positivo dentro de um projeto de construção ou reforma.

A certificação ambiental dos materiais utilizados em obras tem se tornado um critério crescente em projetos que buscam selos como o LEED e o AQUA-HQE, reconhecidos internacionalmente como referências em construção sustentável. Materiais com origem rastreável, extraídos de forma responsável e com baixo impacto no processo de beneficiamento recebem pontuação positiva nesses sistemas de certificação, o que aumenta o valor e a credibilidade do empreendimento no mercado. Diohn do Prado elucida que a busca por certificações ambientais tem impulsionado construtoras a revisarem toda a cadeia de fornecimento, priorizando parceiros comprometidos com práticas responsáveis em cada etapa do processo produtivo.
De que forma empresas do setor de rochas contribuem para a preservação ambiental?
Empresas do setor de rochas ornamentais que adotam práticas de extração planejada, reaproveitamento de resíduos de beneficiamento e gestão eficiente dos recursos hídricos contribuem de forma concreta para a redução do impacto ambiental associado à produção de materiais para a construção civil. O reaproveitamento de aparas e fragmentos de mármore e granito para a produção de agregados, pisos de menor formato e materiais de acabamento é um exemplo de como o setor pode reduzir o desperdício sem comprometer a qualidade dos produtos gerados.
A recuperação das áreas impactadas pela extração de pedras, por meio do reflorestamento com espécies nativas e da restauração das condições de drenagem natural do terreno, é outra prática que demonstra comprometimento ambiental real por parte das empresas do setor. Diohn do Prado frisa que o cuidado com o passivo ambiental gerado pela extração não é apenas uma obrigação legal, mas uma responsabilidade ética com as gerações futuras que dependerão da integridade dos ecossistemas preservados hoje para garantir sua qualidade de vida amanhã.
Como o consumidor pode contribuir para um mercado mais sustentável?
A escolha consciente dos materiais utilizados em obras e reformas é uma das formas mais diretas pelas quais o consumidor final pode influenciar positivamente as práticas do setor de construção civil. Perguntar sobre a origem dos materiais, exigir documentação que comprove a regularidade da extração e priorizar fornecedores com compromissos ambientais verificáveis são atitudes que geram pressão positiva sobre toda a cadeia produtiva.
Diohn do Prado avalia que o consumidor informado é um agente de transformação real no mercado, capaz de direcionar recursos para as empresas que operam de forma mais responsável e, com isso, tornar as práticas sustentáveis economicamente mais vantajosas para o setor como um todo. Cada escolha de compra é também uma escolha sobre o tipo de mercado que se deseja construir para o futuro.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

