Dados da Anac mostram que o país ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 50 milhões de viajantes em voos internos entre janeiro e junho.
O transporte aéreo brasileiro fechou o primeiro semestre de 2026 com um marco inédito. Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), divulgados pelo Ministério de Portos e Aeroportos, o país superou, pela primeira vez na série histórica, a marca de 50 milhões de passageiros em voos domésticos no período. O resultado consolida uma tendência de alta que já vinha sendo observada desde o início do ano e reforça o bom momento do setor de aviação civil no país.
Os números do primeiro semestre
Entre janeiro e junho, foram contabilizados 50.170.016 viajantes em voos domésticos, um crescimento de 4,43% em relação aos cerca de 48 milhões registrados no mesmo intervalo de 2025, conforme informou a Agência Gov. O transporte aéreo internacional também bateu recorde: foram 15.039.902 passageiros no semestre, alta de 9% frente aos 13,8 milhões do mesmo período do ano anterior.
Somando os dois segmentos, o setor movimentou 65,2 milhões de viajantes entre janeiro e junho, um aumento de 5,4% na comparação anual, de acordo com reportagem do Correio Braziliense. Os dados também indicam avanço na movimentação de cargas, que somou 673,6 mil toneladas no semestre, volume 1,4% superior ao registrado em igual período de 2025.
O que explica o crescimento
O aumento consistente da demanda por viagens aéreas no país tem sido atribuído a fatores como a retomada do turismo doméstico, a ampliação de rotas por parte das companhias aéreas e o crescimento da renda em algumas faixas da população. O resultado de maio, por exemplo, já havia sido o melhor da série histórica iniciada em 2000, com 8,31 milhões de passageiros embarcados no mês, número 2% maior que o registrado em maio de 2025, segundo o Jornal de Brasília.
O desempenho positivo também aparece refletido no transporte internacional, que vem crescendo em ritmo ainda mais acelerado que o doméstico. Isso sugere uma recuperação robusta da conectividade do Brasil com outros países, além de maior procura por destinos turísticos fora do território nacional entre os brasileiros que passaram a viajar com mais frequência.
Junho fugiu do padrão de crescimento
Apesar do resultado semestral positivo, o mês de junho isoladamente apresentou uma leve retração. A movimentação total naquele mês foi de 10,3 milhões de passageiros, uma queda de 0,9% em relação a junho de 2025, conforme aponta o portal Brasilturis. No recorte doméstico, foram 8,1 milhões de viajantes, uma queda de 1,2% na comparação anual.
O Ministério de Portos e Aeroportos atribuiu essa desaceleração pontual ao aumento dos custos operacionais enfrentados pelas companhias aéreas, especialmente por causa da alta no preço dos combustíveis, principal componente de despesa do setor. Em nota, a pasta destacou que esse cenário tem pressionado o valor das passagens e pode influenciar o ritmo de crescimento da demanda nos próximos meses, ainda que o resultado acumulado do semestre continue sendo o melhor já registrado.
Para o passageiro, esse tipo de oscilação mensal costuma significar variações no preço das passagens, especialmente em rotas com menor oferta de assentos. Quem planeja viajar nos próximos meses pode encontrar tarifas mais altas em determinados trechos, já que o custo do combustível de aviação segue sendo repassado gradualmente aos preços finais.
Mesmo com a desaceleração de junho, o setor aéreo brasileiro caminha para fechar 2026 com o melhor desempenho da história recente, tanto em passageiros quanto em cargas transportadas. Os próximos boletins da Anac devem mostrar se a tendência de recorde se mantém no segundo semestre ou se os custos mais altos vão moderar o crescimento observado até aqui.

