O uso de produtos biológicos deixou de ser nicho e passou a fazer parte da rotina de lavouras de soja, milho e algodão em todo o país, e Wander Aguilera Almeida, empresário da área de intermediação de compra e venda de grãos, percebe que essa mudança no manejo começa a influenciar a forma como o produtor organiza custos e planeja a safra. Microrganismos, extratos vegetais e inimigos naturais de pragas vêm recebendo atenção crescente, à medida que os insumos químicos perdem popularidade.
O Brasil tornou-se um dos principais mercados de bioinsumos do mundo. A inoculação de sementes de soja com bactérias fixadoras de nitrogênio, prática consolidada há décadas, abriu caminho para uma ampla gama de produtos voltados ao controle de pragas e doenças, à solubilização de nutrientes e ao estímulo ao crescimento das plantas. Em dezembro de 2024, o país aprovou a Lei dos Bioinsumos, que estabeleceu diretrizes específicas para a produção, o registro e o uso desses produtos.
A expansão é respaldada por fatores como pressões de custo, resistência de pragas e sustentabilidade. Neste artigo, o objetivo é oferecer uma compreensão aprofundada sobre os bioinsumos, enfatizando seu potencial de crescimento e os cuidados necessários para garantir resultados consistentes.
O que são os bioinsumos e por que avançam?
Os bioinsumos, por sua vez, são produtos de origem biológica utilizados na produção agrícola. Dentre os componentes incluídos, podemos destacar fungos, bactérias e vírus, que atuam no controle de pragas e doenças. Além disso, há também microrganismos, que disponibilizam nutrientes do solo para as plantas. Ademais, são utilizados inoculantes, extratos vegetais e macro-organismos, como pequenas vespas, no controle biológico de lagartas.
O primeiro fator impulsionador da expansão é o custo. Fertilizantes e defensivos químicos, em grande parte importados, estão sujeitos a oscilações de câmbio e de preços internacionais. Ao analisar esse cenário, Wander Aguilera Almeida destaca que alternativas capazes de reduzir a dependência desses insumos ganham atenção especial em safras de margens apertadas, como a 2026/27.
O segundo motor é agronômico. O uso de algumas moléculas químicas reduziu a eficácia de produtos tradicionais. Os biológicos ajudam a preservar a eficiência dos químicos e a diversificar os mecanismos de controle. Lavouras com menor perda por pragas e doenças tendem a entregar volumes mais previsíveis.
Como os biológicos entram no manejo das lavouras?
A adoção de bioinsumos ocorre de diferentes formas, conforme a necessidade de cada lavoura e o perfil da propriedade:
- Fixação biológica e inoculação: bactérias aplicadas às sementes de soja fornecem boa parte do nitrogênio necessário à cultura, dispensando a adubação nitrogenada e representando uma das maiores economias de insumos da agricultura brasileira.
- Solubilização de nutrientes: microrganismos ajudam a liberar fósforo e potássio presentes no solo em formas pouco disponíveis às plantas, complementando a adubação e melhorando o aproveitamento dos fertilizantes aplicados.
- Controle biológico de pragas e doenças: fungos, bactérias e inimigos naturais atuam contra lagartas, percevejos, nematoides e doenças de solo, integrados a programas de manejo que combinam diferentes ferramentas.
- Produção na própria fazenda: parte dos produtores passou a multiplicar microrganismos em biofábricas instaladas na propriedade, prática conhecida como produção on farm, que reduz custos, mas exige controle rigoroso de qualidade.

A diversidade de usos demonstra que os produtos biológicos não substituem integralmente os insumos convencionais, mas ampliam as opções de manejo. Wander Aguilera Almeida, responsável pelo acompanhamento das safras de grãos e da evolução dos custos de produção, indica que a redução de gastos com insumos promove o equilíbrio da lavoura e amplia a flexibilidade nas decisões de comercialização.
Os cuidados para obter resultados consistentes
Os bioinsumos consistem em organismos vivos, cuja eficácia está condicionada ao armazenamento, transporte e aplicação em condições adequadas. A exposição a temperaturas elevadas, à luz solar e à mistura com produtos incompatíveis pode reduzir a viabilidade dos microrganismos e comprometer o resultado no campo.
A produção on farm exige atenção. Sem controle de qualidade, as biofábricas podem gerar produtos contaminados. A nova lei buscou estabelecer parâmetros para essa atividade, e o acompanhamento técnico se tornou essencial. Segundo Wander Aguilera Almeida, a profissionalização do uso dos biológicos permite transformar uma promessa de economia em resultado mensurável.
Ademais, os efeitos tendem a ser graduais. Em contraste com produtos químicos, que agem de maneira rápida, os biológicos geralmente proporcionam resultados mais consistentes quando incorporados ao manejo ao longo de várias safras. Isso demanda planejamento e acompanhamento de indicadores.
Do laboratório ao talhão
A escala alcançada pelos bioinsumos no Brasil reflete uma mudança na forma de pensar o manejo das lavouras, que passa a combinar ferramentas químicas e biológicas para reduzir custos, enfrentar resistências e atender a exigências de sustentabilidade. O empresário do ramo do agronegócio, Wander Aguilera Almeida, observa que essa transformação já se faz presente nas conversas sobre custos e margens entre produtores e compradores.
O potencial é expressivo, contudo, os resultados dependem da qualidade dos produtos, aplicação correta e orientação técnica. O arcabouço legal recentemente instituído visa oferecer mais segurança ao setor, à medida que as normas forem implementadas.
Ao considerar o impacto financeiro, cada real economizado em insumos sem perda de produtividade fortalece a posição do produtor. É por meio desse caminho, mais do que pelo discurso ambiental, que os produtos biológicos vêm conquistando espaço no campo brasileiro.

